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Israel. Netanyahu venceu legislativas mas ainda tem de conquistar maioria parlamentar

Israel. Netanyahu venceu legislativas mas ainda tem de conquistar maioria parlamentar

O partido Likud, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, venceu as eleições de terça-feira, de acordo com resultados provisórios, e está a caminho de ganhar o maior número de assentos no parlamento israelita. No entanto, ainda tem menos de 61 deputados necessários para a maioria.

Inês Moreira Santos - RTP /
Abir Sultan - EPA

Benjamin Netanyahu está no poder há 12 anos consecutivos, e é já o primeiro-ministro de Israel com mais tempo no cargo. Embora também tenha sido o primeiro a ser indiciado enquanto governava, após ter sido formalmente acusado de corrupção em 2020, voltou a vencer as eleições legislativas.

Com quase 90 por cento dos votos contados, falta agora saber se consegue "formar um Governo são". Neste momento, Netanyahu ainda não tem assegurados os 61 assentos (dos 120 existentes) que garantam a maioria no Knesset, o Parlamento do Estado hebraico.

Se não conseguir formar um "Governo estável" em Israel, o bloco da oposição pode conseguir aprovar legislação para tentar forçar o ainda primeiro-ministro, acusado de corrupção, a demitir-se. As projeções, baseadas em sondagens, sugerem que o único caminho de Netanyahu para uma coligação de direita viável requer um acordo com seu ex-protegido Naftali Bennett, que não descartou entrar num bloco oposto ao do primeiro-ministro.

Os canais televisivos israelitas apontavam, nas primeiras sondagens realizadas à boca das urnas, que o Likud conseguiria 31 lugares, a que poderia somar as votações dos partidos religiosos, mais os sete prováveis lugares da extrema-direita do partido Yamina, o que somaria a pretendida soma de 61 lugares.

A atualização da sondagem pós-eleitoral do Canal 13 dá um total de 53 lugares no parlamento ao partido Likud, de Netanyahu, e formações que o apoiam, o que seria insuficiente para chegar à maioria mesmo com o apoio do partido Yamina, de Naftali Bennett, que deverá ser o quarto mais votado (7 lugares). A mesma sondagem dá 60 lugares ao bloco anti-Netanyahu, em que se incluem o Yesh Atid (18 lugares), Lista Conjunta (8), Kahol Lavan (8), Trabalhistas (7), Meretz (7), entre outros.

O canal público Kan também atualizou as suas previsões no mesmo sentido, apontando para que Netanyahu fique aquém da maioria, mesmo com apoio do Yamina.

Noutra sondagem atualizada, do Canal 12, a coligação anti-Governo alcança mesmo a maioria dos 120 lugares do Knesset.

A Comissão Eleitoral Central espera terminar uma recontagem completa dos votos ao início da tarde desta quarta-feira, mas sobrarão cerca de 450 mil votos especiais (mais de 10 por cento dos votos) pendentes de contagem. São os chamados "envelopes duplos" - o sufrágio dos militares, diplomatas, marinheiros ou prisioneiros, ao qual nestas eleições se junta ainda o dos doentes ou em quarentena devido à covid-19.

De acordo com o El País, o presidente da Comissão Eleitoral Central, Orly Ades, alertou que os resultados oficiais só devem ser divulgados ao início da tarde de sexta-feira.

"A contagem dos votos vai ser muito complexa, uma vez que é preciso contar com os envelopes duplos dos infetados pelo coronavírus", disse o presidente da Comissão Central Eleitoral.

"Precisamos de nervos de aço para lidar com as tentativas persistentes de lançar dúvidas sobre a credibilidade desta Comissão".
"Grande vitória da direita"

As contagens decorrem desde o final do dia de terça-feira e ainda é preciso saber como será o próximo Governo de Netanyahuu: se em regime de coligação ou se unicamente com o apoio parlamentar. Contudo, Netanyahu já governou das duas formas, mesmo sem os resultados terem sido estáveis.

Com os resultados das primeiras sondagens para os 31 assentos do partido Likud, o primeiro-ministro israelita não esperou por mais resultados e proclamou a "grande vitória da direita".

Antes da atualização das sondagens, Netanyahu afirmou que tem condições para formar "um governo de direita estável e forte".

"Fizemos do Likud o maior partido de Israel por um grande margem", afirmou.

"O país precisa de um Governo estável e não de um governo de farrpos com base em rejeições e ambições pessoais", continuou. "É preciso estabelecer um Governo estável agora".

Também través da rede social Twitter, e enquanto decorre a contagem dos votos das quartas eleições em menos de dois anos em Israel, Netanyahu afirmou que os resultados mostram que "uma clara maioria dos cidadãos israelitas" quer um Governo de direita.

O chefe do executivo cessante, de 71 anos, baseou a campanha eleitoral sobretudo na operação de vacinação contra a covid-19, considerada a maior a nível mundial, mas a oposição não deixou os eleitores esquecerem-se do julgamento de Netanyahu por corrupção em três casos diferentes, iniciado há alguns meses e que tem alimentado manifestações contra ele todos os sábados há 39 semanas.

O Likud poderá ganhar 31 ou 32 dos 120 assentos no parlamento de Israel, segundo as projeções. Contando com os seus aliados de direita, as sondagens apontam para que o Governo seja apoiado por mais de 50 deputados. Se essas projeções refletirem o resultado final, uma maioria de 61 assentos poderá ser possível para Netanyahu se este concordar com os termos de Naftali Bennett, um nacionalista religioso multimilionário.

Numa curta declaração após o encerramento das urnas Bennett, do partido Yamina, cujo papel será decisivo na formação de um novo Governo, afirmou que irá "fazer apenas o que for bom para o Estado de Israel", sem se pronunciar sobre a possibilidade de apoiar ou não Netanyahu.

Também Yair Lapid, do segundo partido mais votado Yesh Atid e que conquistou 18 assentos, afirmou que mantém discussões "com os líderes do bloco anti-Netanyahu", dado que neste momento o primeiro-ministro cessante "não tem 61 lugares no Knesset, ao contrário do bloco para a mudança".

"Farei qualquer coisa para estabelecer um governo são no estado de Israel"
, disse Lapid, citado pela imprensa israelita.

Também entre os opositores do chefe de Governo, Benny Gantz, líder do partido Kahol Lavan, declarou que a partir desta quarta-feira fará "tudo o que for possível para unir o bloco pró-mudança", de partidos que querem o afastamento de Netanyahu.

Na eleição de terça-feira, a quarta em menos de dois anos, destaca-se também a coligação Azul e Branca, de Benjamin Gantz, que praticamente desapareceu do espectro político israelita, depois de ter feito parte, com Netanyahu, do Governo que esteve à frente do país até esta semana.

A pulverização dos resultados é, assim, uma realidade nestas legislativas e de algum modo pode facilitar a existência do próximo Governo, uma vez que implica dificuldades para quem quiser liderar a oposição.

Segundo o diário Haaretz, Netanyahu já discutiu o cenário pós-eleitoral com um dos seus principais aliados, Arye Dery, do partido ultra-ortodoxo Shas, que felicitou pelos "excelentes" resultados (9 lugares, segundo as sondagens).

Netanyahu aposta na aliança com os partidos religiosos (ultraortodoxos) e, facto novo, com a extrema-direita, enquanto Lapid conta com um acordo com partidos de esquerda e do centro, mas também os de direita dececionados com o primeiro-ministro.
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